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João Marcos, em sua última entrevista: 'O estrago da bebida é incalculável'

Milton Neves

02/04/2020 17h20

Em meados de 2009, estava na Rádio Bandeirantes apresentando o "Domingo Esportivo Bandeirantes" quando o meu telefone tocou.

Atendi e, para minha surpresa, era o goleirão João Marcos, do Palmeiras, do Grêmio e da seleção brasileira, que lamentavelmente morreu na manhã desta quinta-feira, em Botucatu-SP (clique aqui e saiba mais).

Mas, não sei, não estava conseguindo entender muito bem o que ele dizia. As frases eram desconexas. Mesmo assim, perguntei se ele gostaria de conversar comigo no ar. E ele topou.

Dali em diante se passou a história que todo mundo já conhece: João Marcos se declarou alcoólatra, pediu ajuda, foi gentilmente auxiliado por Reinaldo Henrique Moreira, seu verdadeiro anjo da guarda, e teve ótimos 11 anos de sobrevida, trabalhando e, principalmente, voltando a ser respeitado por sua família e pelos amigos de sua Botucatu-SP.

Em 8 de dezembro de 2019, eu não imaginava, mas conversei no ar com João Marcos pela última vez.

E era sempre muito gratificante entrevistá-lo, pois é difícil você encontrar uma pessoa que chegou ao fundo do poço e se reergueu como ele.

E eu iniciei o nosso bate-papo perguntando os conselhos que ele poderia dar aos dependentes que, assim como ele, chegaram ao limite.

A primeira coisa seria a fé. A segunda, através da fé, Deus colocará em seu caminho pessoas aptas a te ajudar. Não com dinheiro, mas com amizade, carinho, e te encaminhando para algum lugar (clínica) que você necessite. Para que assim você tenha uma recuperação, para que você se sinta melhor na sua vida (…)E você que está ouvindo aí, não está ouvindo à toa. Foi Deus que colocou o seu ouvido no rádio nesse momento para que você procure uma ajuda. Você tem chance!".

João Marcos relembrou também o primeiro contato que teve comigo, quando pediu ajuda, lá em 2009.

A minha situação era tão difícil que eu não sei como eu liguei para você. Eu nem tinha seu telefone. Eu não me lembro como foi. Minha situação era muito difícil. O estrago da bebida é incalculável. Eu pedi ajuda, você pediu uns dias e logo apareceu com o Reinaldo (Reinaldo Henrique Moreira, empresário), que hoje é como meu irmão, que me socorreu".

E o ex-jogador da seleção comentou também sobre o seu retorno a Botucatu-SP, onde, mesmo longe do vício, sofria certo preconceito.

O recomeço aqui foi muito difícil, porque onde ia eu escutava 'olha aí, esse cara chegou na seleção e olha o estado que ele está' (assim que deixou a clínica, João ainda estava muito debilitado). Eu escutava aquilo e não podia responder. Eles tinham razão no que estavam falando. Hoje, de uns cinco anos para cá, nunca mais ouvi ninguém falar nada negativo a meu respeito, e isso é uma glória muito grande para mim. Porque eu jamais pensei que pudesse vencer a bebida".

No player abaixo, você ouve e se emociona com o relato completo de João Marcos, um vencedor dentro e fora dos campos:

CLIQUE AQUI E CONHEÇA A CARREIRA DE JOÃO MARCOS NA SEÇÃO "QUE FIM LEVOU?"

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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