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Milton Neves

Nenhum brasileiro foi mais 'roubado' em uma Olimpíada do que João do Pulo

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Milton Neves

28/07/2021 09h08

Os brasileiros andam revoltados com as arbitragens de diversas modalidades dos Jogos Olímpicos de Tóquio. 

E com certa razão, convenhamos. 

Afinal, no surfe, Gabriel Medina foi, sim, muito prejudicado no início da semana contra o japonês Kanoa Igarashi. 

E, nesta madrugada, a gaúcha Maria Portela também foi "operada" pelo árbitro Everard Garcia, do México, nas oitavas de final da competição de judô. 

Mas, gente, digo a vocês sem medo de errar: nenhum atleta brasileiro foi mais 'roubado' em uma Olimpíada do que o nosso inesquecível João do Pulo. 

É que, em 1980, nos Jogos de Moscou, é claro, não tínhamos as redes sociais e a revisão de vídeo de hoje em dia.

E nem toda a tecnologia existente para aferição de doping.

Imaginem então o que os soviéticos fizeram em competições passadas…

E não apenas em termos de substâncias ilícitas, utilizadas para "turbinar" os atletas, mas também na tal manipulação de resultados.

Os "olhômetros" imperavam na antes União Soviética assim como as fitas métricas que marcavam menos centímetros para seus adversários, a exemplo de dados "viciados" em jogos "de azar".

Foi o jornalista Orlando Duarte, o "Eclético", quem chamou a atenção para o roubo sofrido por João do Pulo nos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980.

Pertinho da caixa de areia, o "Gol do Salto Triplo", o já experiente Orlando Duarte alardeou em 1980 que João do Pulo tinha sido roubado em dois de seus saltos espetaculares, certamente acima dos 18 metros, que lhe garantiriam a medalha de ouro, feito que os russos jamais aceitariam.

Recordista mundial desde 1975 nos Jogos Pan-Americanos do México com seus assombrosos 17,89m, João Carlos de Oliveira era grande adversário de Viktor Saneyev no salto triplo.

Reforçado pela zebra Jaak Udmae, o time russo de Saneyev tinha a medalha de ouro como questão de honra nacional.

O que fizeram?

Roubaram João do Pulo!

Na cara dura, nos olhos podres e nos punhos comprados.

Seus dois saltos acima dos 18m foram "queimados" pelo "olhômetro" desonesto do fiscal de linha, hasteando a bandeirinha vermelha, impeditiva.

Um deles, tcheco, já falecido, um dia reconheceu em Praga que tinha mesmo ordem de sabotar o atleta brasileiro.

O fiscal tcheco anula um dos saltos perfeitos de João do Pulo nos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, para indignação do atleta brasileiro. Fotos: Reprodução/YouTube

Era fácil.

Não havia o VAR de hoje.

As câmeras que flagram o exato momento em que o bico da sapatilha do saltador toca ou não na marca derradeira.

É como a bolinha amarela do tênis quando do desafio pedido pelo tenista, recurso eletrônico que minimizou as "barbeiragens" de outrora…

Bastava, em 1980, o "achômetro"  (e a má intenção, claro) do fiscal-bandeirinha naquela Olimpíada de Moscou.

Aliás, em 2015, a Associação de Atletismo da Austrália exigiu uma investigação da Federação Internacional de Atletismo pois considerava que seu atleta Ian Campbell, a exemplo de João do Pulo, foi prejudicado com saltos mal anulados.

Se esta investigação um dia der "ganho de causa" ao australiano e a João do Pulo, o brasileiro ficaria com a medalha de ouro e Campbell com a prata.

Orlando Duarte, primeiro a falar sobre a trapaça que os russos fizeram com João do Pulo em Moscou/1980. Na foto, ele está ao lado de Milton Neves, em 1984. A dupla, então na Rádio Jovem Pan-SP, posou com os seus troféus Aceesp, conquistados naquele ano. Foto: Portal Terceiro Tempo

Pobre João!

Nunca se conformou.

Era meu amigo.

Foi até Muzambinho-MG comigo dias depois de voltar consagrado do México em 1975, trocando grande homenagem que receberia da Rede Globo na Praça Marechal Deodoro por minha pequena cidade.

Milton Neves, com apetite, se serve do bandejão do Colégio Agrícola de Muzambinho ao lado de João do Pulo e do diretor do colégio, José Rossi. Em pé, à esquerda, Scarlett Abrão Borelli. A outra moça é Ester Rondinelli Anderson. Foto: Portal Terceiro Tempo

Sempre assombrado pelo "Roubo de Moscou", João decaiu em seus pulos, separou-se, largou a farda, acidentou-se como vítima em seu Passat em 1981 entre São Paulo e Campinas, na Via Anhanguera, quando bateu em uma Variant conduzida por um motorista alcoolizado, na contramão.

João do Pulo perdeu a perna, a carreira e vieram a política, o alcoolismo e a morte.

O Passat de João do Pulo, destruído após o acidente na Rodovia Anhanguera. Foto: Reprodução

Culpa dos russos, esses indecentes que hoje roubam no doping e que ontem roubaram João do Pulo e o Brasil.

E é exatamente essa a bandeira a ser levantada e repetida pela mídia brasileira e mundial.

Quem ousa roubar hoje descaradamente no doping, desafiando toda a alta tecnologia atual de combate a esta maldição do esporte limpo, e mesmo com o VAR, não teria mesmo, como não teve, temor, despudor e a falta de vergonha na cara de roubar, no "olhômetro" e no achismo visual desonesto, um saltador "lá daquele tal Brasil distante".

Ordinários!

Mataram o João!

Frustraram os seus sonhos.

Emudeceram o Brasil.

Brasil que parou pela TV quando daqueles saltos do João em Moscou, como parava nas voltas de Ayrton Senna, nos socos de Eder Jofre ouvidos pela Rádio Bandeirantes,  nos backhands e drop-shots de Maria Esther Bueno e Guga e nos gols maravilhosos de Pelé.

Ave, Orlando Duarte.

Abraços, João do Pulo, também no céu!

E xô, apito-amigo que insiste em prejudicar nossos atletas, como fizeram com João em 1980!

detran

Em 1975, João Carlos de Oliveira foi ao Detran para tirar sua carteira de motorista. E Milton Neves aproveitou para "tirar um retrato" com ele. Foto: Portal Terceiro Tempo

VEJA A IMAGEM DO TAMBÉM SAUDOSO ORLANDO DUARTE EM 2020. ELE RELEMBROU O OCORRIDO EM MOSCOU/1980:

ABAIXO, VEJA MAIS FOTOS DA VIDA DE JOÃO DO PULO:

Nos jogos Olímpicos de Moscou, capital da antiga União Soviética, o boxer Sidnei Dal Rovere no meio e à direita, o mito João Carlos de Oliveira, o João do Pulo. Foto arquivo pessoal Sidnei Dal Rovere

Recordista mundial do salto triplo, João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, levou o bronze na Olimpíada de 1976

João do Pulo, durante o salto que rendeu a medalha de ouro e o recorde mundial da prova de salto triplo

Na foto aparecem: Waldemar Anderson, Milton Neves, Willian Peres Lemos, o radialista Paulo Ferreira de Carvalho, João do Pulo, Amir Além Aquino, Maria José Lemos, o empresário Pedro Viola, o fotógrafo Wilson Lemos Filho, o saudoso Pedro Dias, o ex-prefeito Orivaldo Pereira, o saudoso Dr. Antero Costa, que era médico, o fazendeiro Osório Pereira, que já é falecido, Glênio José Rondinelli, a filha de Glênio, Vanilda, esposa de Glênio, as crianças são filhos e netos de Glênio, e Sandra Vanira Cerávolo Paoliello

Esta foto foi tirada em 30 de outubro de 1975, em Muzambinho (MG). A cidade parou para receber João do Pulo, o herói dos 17,89 metros. Milton Neves apresentou o evento na praça ao lado do saudoso prefeito Orivaldo Pereira

1975: O Professor William Peres Lemos, Milton Neves, prefeito Orivaldo Pereira e Glênio José Rondinelli homenageiam João do Pulo em Muzambinho-MG

Em 1999. Imagem: Reprodução

No ano de 1978, em reunião realizada na Câmara Municipal de Campos do Jordão, o Vereador Miguel Lopes de Pina entrega ao esportista Paulo de Oliveira, o popular Paulo Aço, pai do grande recordista mundial de Salto Triplo João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, merecido diploma e troféu de Esportista do Ano. Foto reprodução do site Campos do Jordão Cultura

Paulo de Oliveira, o saudoso Paulo Aço, quando recebia o título de esportista do ano de 1978, na Câmara Municipal de Campos do Jordão. Foto reprodução do site Campos do Jordão Cultura

Em 28 de maio de 2012, Milton ao lado de Pulinho, filho de João do Pulo. Foto: Robson Monteiro

Ricardo Piorino (presidente da Câmara Municipal de Pindamonhangaba), Milton e "Pulinho", com a Comenda João Carlos de Oliveira, recebida por Milton Neves em 28 de maio de 2012. Foto: Robson Monteiro

João do Pulo em 1975 e o filho Pulinho, em 28 de maio de 2012

Nas imagens de cima e da direita, "Pulinho", filho de João do Pulo, aparece em ação. Na foto da esquerda, aparece o lendário atleta brasileiro celebrando uma de suas conquistas

Atleta como seu pai João do Pulo, o triplista Pulinho almeja sucesso na carreira de saltador

Pulinho se prepara para largada, em 2013. Foto enviada por Lili

Da esquerda para a direita, Pulinho, sua mãe Lili e seu irmão. Foto enviada por Lili

Milton, com apetite, no bandejão do Colégio Agrícola de Muzambinho, ao lado de João do Pulo e do diretor do colégio, José Rossi. Em pé, à esquerda, Scarlett Abrão Borelli

João do Pulo, escoltado por Milton Neves, desfilou por Muzambinho a bordo de uma `Ferrari´. Mas sua medalha de ouro era a legítima dos 17,89 metros de 1975 na Cidade do México. Atrás de João do Pulo, o moço da direita é Guilherme Vicente de Souza

No Colégio Agrícola de Muzambinho, Milton está à esquerda, comendo o bandejão ao lado de João do Pulo e do diretor do colégio, José Rosni. Em pé, com uma medalhona no peito, está Edson Dino, craque de Muzambinho-MG

Em 1975, voltando da Cidade do México com seus épicos 17,89 metros, João do Pulo (dir) foi ao Detran para tirar sua carteira de motorista. Lá, Milton Neves trabalhava como setorista da Jovem Pan e aproveitou para tirar uma foto ao lado do grande saltador

Pulinho, filho de João do Pulo, em frente a um painel em homenagem ao seu pai

Nos comentários, deixe a sua homenagem ao histórico João do Pulo

Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.