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Fla TV pode ensinar ao mundo como acabar com a TV tradicional no futebol

Milton Neves

03/07/2020 04h00

A briga envolvendo os direitos de transmissão do futebol ferveu de vez nesta semana.

E com duas dolorosas derrotas para um dos lados, aquele que sempre julgamos ser o mais poderoso.

Sim, a Globo já tinha ficado ressabiada na terça-feira com a reunião do presidente Bolsonaro com representantes de Palmeiras, Santos, Bahia, Ceará, Fortaleza, Athletico-PR, Internacional e Coritiba.

A Medida Provisória 984, que dá aos clubes mandantes a prerrogativa de negociarem seus direitos de transmissão, que foi discutida nesse encontro, é totalmente desfavorável ao grupo de comunicação mais poderoso do país.

Mas o grande revés mesmo veio na quarta-feira, com o estrondoso sucesso da transmissão do jogo entre Flamengo e Boavista pela Fla TV, com aproximadamente dois milhões de espectadores.

 

A Globo acusou o golpe, tanto que no dia seguinte rescindiu o contrato de transmissão do Campeonato Carioca.

Agora é esperar para ver quem vai levar a melhor nesta guerra que há tempos se desenhava, mas que explodiu para valer nas últimas semanas.

E é possível, sim, que a Fla TV ensine ao mundo como acabar com a TV tradicional no futebol.

Mas é bom ressaltar que esse novo modelo tem, como quase tudo na vida, seus prós e seus contras.

Ou, como diria Vicente Matheus, é uma "faca de dois legumes".

O lado bom é que o clube que conseguir se estruturar para essas transmissões tem tudo para faturar alto, sem precisar pagar "pedágio" a ninguém.

Seria ótimo também para a crônica esportiva, já que muitas TVs de clubes seriam criadas, gerando muitos empregos para a área.

Mas isso também poderia sufocar os pequenos e, consequentemente, os Estaduais.

Afinal, dá para imaginar uma boa estrutura de transmissão para clubes que quase não conseguem pagar os salários de seus jogadores?

Outro ponto: quem criticaria o jogador, o técnico ou até mesmo a diretoria na transmissão feita pela TV do próprio clube?

Seria possível fazer uma transmissão isenta?

E o VAR, seria comandado pela transmissão da equipe mandante?

E a equipe mandante enviaria ao árbitro um lance de possível pênalti contra?

Por fim, é importante ressaltar que, segundo a pesquisa da Pnad Contínua TIC, 25% da população brasileira ainda não tem acesso à internet.

E aí, isso não poderia impedir o torcedor mais pobre de acompanhar seu time?

Os clubes não estariam "se escondendo" na internet dessa parcela da população que só tem acesso à TV e rádio?

 

São algumas perguntas que ainda não sabemos as respostas.

Mas o que sabemos mesmo é que, dando certo ou não, estamos assistindo nesses últimos dias uma grande revolução nas transmissões esportivas, assim como foi com o nascimento da internet.

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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