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Andrés, que tinha tudo para ser herói, deve deixar o Corinthians como vilão

Milton Neves

20/06/2020 04h00

Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

Parece até que foi "em outra vida", mas Andrés Sanchez já foi unanimidade entre os corintianos.

Ele, que assumiu a presidência do Corinthians pela primeira vez em 2007, não foi responsabilizado pela Fiel pelo rebaixamento no Brasileiro daquele ano.

Na oportunidade, os corintianos tinham certeza de que a culpa tinha sido de Alberto Dualib e da desastrosa parceria com a MSI.

E Sanchez já mostrou ser "bom de serviço" no ano seguinte, montando o time que voltou à Série A com um pé nas costas e que serviu de base para os anos gloriosos que estavam por vir.

Mas ele atingiu os píncaros da glória mesmo quando da contratação de Ronaldo Fenômeno, em dezembro de 2008.

O "chapéu" dado no Flamengo na negociação com Ronaldo foi golpe de mestre que fez o Corinthians ser conhecido no mundo todo.

As TVs de todo o planeta se cansaram de reprisar os golaços que o ex-camisa 9 da seleção brasileira marcou com o manto alvinegro, fazendo com que a marca do clube se fortalecesse, atraindo cada vez mais anunciantes.

Aí, talvez Andrés tenha começado a sonhar alto demais.

É claro que um clube do tamanho do Corinthians merecia um estádio.

Mas, iludido pelas promessas de Lula, que nem presidente do Brasil era mais, e pensando que os "tempos de vacas gordas" durariam para sempre, Sanchez meteu os pés pelas mãos na idealização do caríssimo Itaquerão.

Ainda assim, Andrés conseguiu eleger seus "afilhados políticos" Mário Gobbi e Roberto de Andrade, que ainda aproveitaram o impulso dado no início da década e, com eles na presidência, o Corinthians ganhou alguns dos títulos mais importantes de sua história.

Só que, mesmo com as taças conquistadas, o Timão começou a perder credibilidade no mercado com os constantes atrasos nos pagamentos das parcelas do Itaquerão.

O avanço da exemplar "Operação Lava-Jato" também prejudicou demais o clube neste ponto.

Afinal, quem iria querer relacionar a sua marca com um estádio que vive tendo manchetes negativas, com construtora mais do que enrolada?

Enfim, parou de brotar dinheiro no Parque São Jorge.

Mas Andrés, de volta à presidência, parece não ter percebido que os "tempos de vacas gordas" já tinham passado e seguiu no mercado da bola com a mentalidade que tinha no início da década, quando o Corinthians era o destino dos principais reforços do futebol brasileiro.

Prova disso é que o Timão, que teve déficit de "apenas" 177 milhões de reais em 2019, iniciou a temporada com o quinto elenco mais valioso do Brasil.

E, apesar das boas vendas feitas neste ano, como a de Pedrinho para o Benfica, o clube anunciou nesta semana o retorno de Jô, de 33 anos, com contrato até… 2023!!!

Ou seja, o próximo presidente que se vire para consertar essa e muitas outras pisadas de bola, não é mesmo?

Bom, e Andrés deixará a presidência do Corinthians no final deste ano.

E a pergunta é: ele sairá como herói pelo que fez no passado ou como vilão pelas patinadas recentes.

Para mim, assim como Alberto Dualib, que também conquistou muitos títulos como presidente do Alvinegro, mas que depois jogou o clube no buraco, Andrés sairá como vilão.

Ainda mais quando as "bombas financeiras" começarem a estourar nos colos dos próximos presidentes alvinegros.

Vejam o que está acontecendo com o Cruzeiro e percebam  como será o futuro do Timão, corintianos.

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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