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Maracanã, 70: saiba como as traves do Maracanazo foram parar em Muzambinho

Milton Neves

16/06/2020 04h00

Há exatos 70 anos, o Maracanã, estádio que se tornaria o mais emblemático da história do futebol, era inaugurado com um amistoso entre a seleção carioca e a seleção paulista.

Didi Folha Seca marcou o primeiro gol do "Templo do Futebol" no goleiro-dentista Oswaldo "Topete" Pisoni, do Ypiranga, mas os paulistas acabaram virando o jogo para 3 a 1.

Bom, e vocês sabem qual é a relação do mundialmente famoso Estádio Jornalista Mário Filho com a "minha" modesta Muzambinho-MG?

É que simplesmente as traves de um dos lados do campo da final da Copa de 1950, Brasil 1 x 2 Uruguai, estão na Casa de Cultura de minha cidade natal (confira nas três fotos da montagem acima).

Incrível, não é mesmo?

Mas como elas foram parar lá?

Acontece que no final da década de 1950, a Fifa determinou que as traves dos grandes estádios, ainda quadradas e de madeira, fossem substituídas pelas mais modernas, arredondadas e de ferro.

Sabendo disso, Joaquim Teixeira Neto, então prefeito de Muzambinho-MG, ligou para Urias de Oliveira, seu cunhado e influente diretor da ADEM, órgão que administrava o Maracanã, e pediu a doação das famosas e "amaldiçoadas" balizas para a pequena cidade do Sul de Minas.

Como elas realmente seriam descartadas, Urias mexeu os pauzinhos e conseguiu efetivar a doação das traves de um dos lados do campo ao município mineiro.

O grupo de muzambinhenses escalado para o transporte das balizas levou nada menos que 17 dias para voltar à cidade com as relíquias retiradas do Maracanã.

As traves foram instaladas no Estádio Antônio Milhão e a estreia das mesmas aconteceu em maio de 1960, em uma partida entre o Muzambinho e o Olaria, que à época excursionava pelo Sul de Minas.

Resultado: 12 a 0 para o time da Rua Bariri no jogo que ficou conhecido como o "Maracanazo de Muzambinho".

Ou seja, assim como para a seleção, essas traves também deram um baita azar para o futebol muzambinhense (risos).

Anos depois, claro, elas se tornaram antiquadas até mesmo para o humilde estádio de minha terra, e os governantes da época tomaram a acertada decisão de colocá-las em exposição na Casa da Cultura de Muzambinho, onde também é possível ver relíquias da carreira do injustiçado goleiro Barbosa.

E por falar em Barbosa, existe uma lenda de que o goleiro do Vasco, anos depois do Maracanazo, teria queimado as traves do Maracanã para tentar exorcizar o fantasma que o assombrou até o fim da vida.

Mas os historiadores de Muzambinho, como o contador Célio Sales Sobrinho, garantem: essas são as traves originais do Maracanazo.

A própria filha de Barbosa, Tereza, acredita que o pai tenha falado isso em um momento de desabafo.

E é tão sério que o "Fantástico", da TV Globo, representado pelo competentíssimo repórter Maurício Kubrusly, produziu há alguns anos belíssima matéria sobre a doação das balizas.

Mas, se você ainda duvida, quando essa pandemia passar – e vai passar -, vá até minha terra e veja com seus próprios olhos as relíquias do "Templo do Futebol".

E viva o Maracanã, agora, definitivamente, um "senhor estádio" com seus 70 anos.

Viva Barbosa, injustiçado e perseguido mesmo sem culpa nos dois gols do Uruguai em 1950.

E viva Muzambinho-MG, sempre preservando a história do Brasil e do esporte nacional.

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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