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A história por trás dos dedos tortos do aniversariante Manga

Milton Neves

26/04/2020 04h00

Manga e seus dedos tortos ao lado do cantor Kledir Ramil, colorado fanático, da dupla gaúcha Kleiton & Kledir, em 5 de abril de 2014, dia da reinauguração do Beira-Rio, em Porto Alegre.Foto: Victor Hugo/arquivo pessoal de Kledir Ramil

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Manga, o mais emblemático goleiro da história, comemora hoje 83 anos.

E o pernambucano Haílton Corrêa de Arruda sopra as velhinhas neste domingo feliz da vida, de volta ao Rio de Janeiro, onde está morando no "Retiro dos Artistas" graças à persistência do repórter Marcelo Gomes, da ESPN, e ao apoio do grande ator Stepan "Chacrinha" Nercessian.

Aliás, Manguita, como era chamado por seus companheiros, concedeu-me histórica entrevista no mês passado no "Domingo Esportivo Bandeirantes" (ouça no player abaixo).

Bom, e não exagerei no início do texto quando classifiquei Manga como o mais emblemático arqueiro da história.

Tanto que seu aniversário marca, além de tudo, o Dia do Goleiro no Brasil, criado em homenagem ao bom pernambucano. 

E ele tinha simplesmente todos os atributos necessários para ser um arqueiro de respeito: reflexo, bom posicionamento, velocidade, altura, "cara de mau" e muita, mas muita coragem.

Mas toda essa coragem fez com que Manga encerrasse a sua carreira com uma sequela marcante: muitos dedos de suas milagrosas mãos são totalmente tortos.

É que goleirão do Sport, do Botafogo, do Nacional-URU, do Internacional, do Operário-MS, do Coritiba, do Grêmio, do Barcelona de Guayaquil e da seleção nunca teve medo de, mesmo sem luvas, dividir bolas nos pés dos atacantes.

Por isso, imagine a quantidade de fratura que ele sofreu…

Inacreditavelmente, poucos dias depois dos "acidentes", já estava novamente em campo, jogando com humildes talas em seus dedos quebrados.

Manga apresenta suas mãos, com dedos impressionantemente tortos

Orgulhoso, com uma de suas netinhas no colo

Em entrevista recente ao Lance!, o próprio goleiro falou sobre os estragos provocados pelos atacantes em seus dedos.

"Eu não tinha medo, era corajoso. Quando eu quebrava um dedo, o doutor me engessava e em três ou quatro dias eu já estava jogando de novo. Por isso, eu tenho quase todos os dedos tortos. Essas são as marcas do meu trabalho. No Nacional-URU, por exemplo, quebrei dois de uma vez só e dias depois fui para o jogo normalmente. Não gostava de ficar de fora. Tenho um orgulho muito grande do que fiz na minha carreira. Sempre fiz o melhor, mesmo que estivesse machucado".

Quanto amor e dedicação ao esporte, não mesmo?

Abaixo, confira outras incríveis fotos da carreira do eterno goleiro do Sport, do Botafogo, do Nacional-URU, do Internacional, do Operário-MS, do Coritiba, do Grêmio, do Barcelona de Guayaquil e da seleção:

Em pé, da esquerda para a direita: Jorge, Manga, Cacá, Zé Maria, Pampolini e Chicão. Agachados: Garrincha, Didi, Genivaldo, Quarentinha e Zagallo. Os cariocas venceram a Machadense por 7 a 1

Manga e Yashin, o Aranha Negra. Eles se encontraram em 21 de novembro de 1965, no Maracanã, no empate, Brasil 2 x 2 U.R.S.S

O grande Botafogo dos anos 60: Em pé, veja Joel, Elton, Manga, Nilton Santos,Paulistinha e Rildo. Agachados, Roberto Miranda,Gérson, Arlindo, Jairzinho e Zagallo

Esse time perdeu para Portugal por 3 a 1, no estádio Goodison Park, na cidade de Liverpool, no dia 19 de julho de 1966, pela Copa da Inglaterra. O resultado desclassificou a Seleção Brasileira na primeira fase do Mundial. Foi a pior participação do selecionado "canarinho" em Copas do Mundo. Em pé: Orlando, Manga, Brito, Denílson, Rildo e Fidélis. Agachados: o massagista Mário Américo, Jairzinho, Lima, Silva, Pelé e Paraná

Seleção brasileira de 1965. Da direita para a esquerda: Bianchini, Manga, Roberto Dias, Paraná, Gérson, Rildo (de costas) e Bellini

Da esquerda pra direita: Marinho Peres, Figueroa e Manga. Lá atrás, meio escondido, está o goleiro Gasperin. Que timaço tinha o Inter nos anos 70, hein?

Manga, em dezembro de 2019, no Uruguai, onde foi amparado por torcedores do Nacional

O Botafogo em 1962 no Maracanã. Em pé, da esquerda para a direita: Paulistinha, Manga, Jadir, Nilton Santos, Airton e Rildo. Agachados: Garrincha, Edson, Quarentinha, Amarildo e Zagallo

Grêmio campeão do primeiro turno do Gauchão em 1979. Em pé: Grêmio 1979: Eurico, Vitor Hugo, Manga, Vantuir, Vicente e Dirceu; Agachados: Jurandir, Tarciso, André, Iúra e Éder. A foto é da Revista Placar

No dia 8 de março de 1977 jogadores da seleção brasileira receberam do então Ministro do Trabalho, Arnaldo Prieto, carteiras de trabalho como jogadores profissionais. O ex-goleiro Manga recebe a sua. Sentados observando aparecem Jairo, Amaral e Beto Fuscão, na primeira mesa, e Joãozinho, na segunda

Os vencedores da premiação da Revista Placar em 1978, a `Bola de Prata´. Em pé, da esquerda para a direita: Rosemiro, Manga, Rondinelli, Falcão, Deodoro e o técnico Carlos Alberto Silva. Agachados: Tarciso, Caçapava, Adílio, Paulinho e Jésum. Faltou um jogador, o lateral-esquerdo Odirlei (Ponte Preta), que provavelmente não pôde comparecer para a pose…Foto: Revista Placar

Linda imagem de Manga, treinando pelo Botafogo, nos anos 60

Manga e Gylmar, no anos 60: que dupla!

Ao lado do goleiro Manga, Adilson Miranda, então no Corinthians. O mesmo Adilson Miranda que em 1979 foi campeão brasileiro invicto pelo Inter. Atrás, outro corintiano que também jogou no Inter: Geraldão. À direita, Vacaria. Este jogo, em 30 de janeiro de 1976, foi válido pela Taça Cidade de São Paulo, no Morumbi. Vitória do Inter, 1 a 0, gol de Lula. Foto: História do Sport Club Internacional

Na década de 70, pelo Inter, no Beira-Rio

Formação do Nacional-URU, no início dos anos 70. O goleiro Manga é o segundo em pé, da esquerda para a direita. Enquanto Célio Taveira é o terceiro agachado

Seleção Brasileira, no estádio do Maracanã em 1965. Da esquerda para a direita, em pé: Djalma Santos, Bellini, Manga, Orlando, Rildo e Dudu. Agachados: Mário Américo, Garrincha, Ademir da Guia, Flávio Minuano, Pelé, Rinaldo e Pai Santana

Em 1966, vésperas da Copa na Inglaterra, a Seleção Brasileira treinava em Poços de Caldas, no Estado de Minas Gerais, em pé: Djalma Santos, Bellini, Manga, Edson Cegonha, Fontana e Dudu. Agachados: Nado, Fefeu, Alcindo, Tostão, Edu e Pai Santana

Manga, o goleiro mais emblemático da história

Equipe brasileira que começou o jogo amistoso contra a União Soviética em partida disputada no Estádio Luzhniki, em Moscou. Vitória do Brasil por 3 a 0, com dois gols de Pelé e um de Flávio Minuano. Em pé, da esquerda para a direita: Djalma Santos, Bellini, Manga, Orlando Peçanha, Dudu e Rildo. Agachados: Mário Américo, Jairzinho, Gérson, Flávio Minuano, Pelé e Paraná. Foto enviada por Roberto Saponari

Da esquerda para a direita, Manga é o primeiro, Alcindo é o terceiro e Valdir Joaquim de Moraes o último, nas belas instalações em que a Seleção Brasileira se concentrou, em 1966. Foto: arquivo pessoal de Valdir Joaquim de Moraes

Garrincha, Manga, Djalma Santos, Valdir e repórter que acompanhava a delegação brasileira. Foto: arquivo pessoal de Valdir Joaquim de Moraes

Em pé, da esquerda para a direita, Nei Celestino, Gil Nazareno, Julio Bardales, Manga, Paes e Flávio Perlaza. Agachados, da esquerda para a direita, Juan Madruñero, Victor Epanhor, Galo Vásquez, Escurinho e Mário Tenório. Foto enviada por Gilvannewton Souza

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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