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Ponta do Corinthians 'tomou' supositórios do Dr. Osmar e quase morreu

Milton Neves

31/01/2020 17h47

Ah, as deliciosas histórias da bola…

Essa que vou contar para vocês envolve pessoas muito queridas, como o ex-atacante corintiano Lindóia, o Roberto Cardoso da Silva, que hoje vive em Ribeirão Preto-SP, e o inesquecível e bondoso Doutor Osmar de Oliveira, que certamente está morando no céu e que foi quem contou este causo ao vivo em um dos milhares de programas de TV que fizemos juntos.

Lindóia é abraçado por Mirandinha após marcar pelo Timão, no ano de 1971

Rivellino, sem bigode, e Osmar de Oliveira leem o jornal oficial do Corinthians, em 1965

Em 1970 para 1971, o Corinthians fazia pré-temporada no interior e ficou hospedado em belíssimo hotel de Águas de Lindóia-SP, linda estância hidromineral do estado de São Paulo.

Em determinado momento da noite, pouco tempo depois do jantar de toda a delegação, Francisco Sarno, técnico do Corinthians, bateu à porta da suíte de Osmar de Oliveira, recém-formado em Sorocaba-SP e então médico do clube, solicitando urgente atendimento ao atacante Lindóia, jovem ponta contratado junto ao Guarani, que estava super indisposto.

Banco de reservas do Timão, no início dos anos 1970. Com as mãos no rosto, o massagista, seguido por Osmar de Oliveira e o técnico Francisco Sarno. Juracy e Aladim estão sentados no chão. Atrás de Osmar de Oliveira, de fone de ouvido, o repórter Chico de Asssis

Com todo seu tato e profissionalismo, o Dr. Osmar de Oliveira examinou Lindóia e, com base no que observou, decidiu que o melhor tratamento seria com administração de três supositórios.

Osmar voltou ao seu quarto e dormia tranquilamente com o tradicional friozinho da madrugada de Águas de Lindóia-SP, quando ouviu novamente alguém batendo em sua porta.

Era, novamente, Francisco Sarno.

"Doutor, mas o que é isso? O senhor quis envenenar o Lindóia? Ele está muito pior e quase morrendo lá no quarto", inquiriu o técnico alvinegro.

"Eu não! Ele já deveria estar melhor com os supositórios que passei para ele".

E foram os dois até a suíte de Lindóia, em outra ala do belíssimo hotel.

"O que houve, Lindóia? Os medicamentos que eu te passei fizeram mal?", perguntou Osmar de Oliveira.

"Doutor, eu não sei o que aconteceu, tô muito mal. Tô 'imbruiado'", explicou Lindóia.

"Mas conseguiu tomar os remédios?".

"Consegui, sim, doutor. Tomei os três com aquela garrafinha de guaraná, olha. Peguei os três e tomei de uma vez. Agora eu tô muito 'imbruiado'. Toda vez que eu solto pum, viro do avesso, doutor", explicou o gente boa do Lindóia.

E Lindóia, que sempre com muito bom humor confirma a história contada por Osmar de Oliveira, ainda teve tempo para perguntar em seus "últimos segundos de vida": "Doutor, o meu guaraná estava estragado?".

Milton Neves e Lindóia, no início dos anos 2000, durante o intervalo do emblemático "Debate Bola"

Grande Doutor Osmar, nos tempos em que trabalhou no clube que tanto amava – ou melhor, ainda ama, lá do céu!

Confira acima, a foto do time corintiano, do técnico Francisco Sarno, que derrotou de virada, por 4 a 3 o Palmeiras em 1971. Em pé: Luís Carlos, Tião, Sadi, Ado, Zé Maria e Pedrinho. Agachados: Lindóia, Samarone, Rivellino, Mirandinha e Peri

Doutor Osmar e Luis Carlos Galter, no fim da década de 1960

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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