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O Iluminado Cemitério de Elefantes dos velhos craques

Milton Neves

06/12/2019 16h35

Comentarista da Rádio Bandeirantes, Paulinho Jamelli, ex-atacante do Brasil, Japão e Espanha, quer fazer seu último gol onde começou via futsal do CA Juventus.

É gratidão que pretende demonstrar iluminando a Rua Javari, o estádio de futebol que teve o maior público da história.

Naquele 2 de agosto de 1959, Pelé, com apenas 19 anos, fez lá o maior de seus gols no "keeper" Mão de Onça.

O maravilhoso gol de Pelé no goleiro Mão de Onça

Presentes no estádio Conde Rodolfo Crespi "10 milhões" de torcedores e "800 mil" jornalistas.

É que todo mundo garante que estava lá (risos)!

Foi um jogo à tarde e eu ouvi pela Rádio Bandeirantes.

À tarde porque a Javari nunca teve refletores.

Mas, agora, Jamelli tem um plano comercial para viabilizar a "luz artificial" no mais romântico estádio do Brasil.

Jamelli, no início dos anos 80, com a camisa do futebol de salão do Juventus, e em foto mais recente

Tomara que dê certo, para melhor visibilidade dos craques de ontem que adoram encerrar suas carreiras no "Principado Independente da Mooca".

Um deles foi o baiano Vampeta, hoje jornalista e presidente do Audax, que também trilhou no final de carreira, em São Paulo, o rumo do querido Clube Atlético Juventus!

Ele percorreu um caminho bastante conhecido e igualmente seguiu para o mesmo destino de velhos ídolos de times grandes de São Paulo que escolheram a Mooca para o ocaso em suas carreiras.

Assim como fizeram o goleiro Cabeção, Homero Oppi, Geraldo Scotto, Rafael Chiarella, Clóvis Nóri, Oberdan Cattani, Pinga, Rodrigues Tatu, Gino Orlando, Lanzoninho, Baltazar, Tião, Ferreirinha, Juninho (ex-zagueiro da Ponte e Corinthians), Rocha (ex-volante do Botafogo e Palmeiras), Buzzone, Xaxá, Nelsinho Baptista, Luciano Coalhada, Tatá, Gelson, Rodarte, Wilsinho, Menotti, Gil e, quase, Luizinho, o Pequeno Polegar.

Mas o magistral baixinho, de 64 para 65, ainda teve a oportunidade de voltar para o seu Parque São Jorge a tempo de ver Rivellino nascer e explodir.

1964: Luizinho, em raro registro com a camisa do Clube Atlético Juventus

É que a Rua Javari sempre foi para os velhos craques uma espécie de cachoeira dos cemitérios de elefantes.

Mas enquanto o interior, baixos e fundos dessas cachoeiras abrigam valiosos dentes de marfim que valem ouro, a querida Rua Javari segue servindo de palco para que o velho ator exiba suas últimas peças em atos de melancolia, frustração e saudade.

Ali, em ambiente tão amigo e silencioso, o velho craque sente o peso da realidade e a certeza de que o prolongamento de carreira depois de três ou quatro décadas é pura utopia.

Para eles, a Rua Javari, depois de tantas iluminadas e felizes travessias Pacaembu-Morumbi da CMTC e da EMTU, é o ponto final da linha 35-40, a linha "Holofote-Lamparina" da vida.

Que os modernos refletores digam amém.

 2Em pé: integrante da comissão técnica, Clóvis Nori, Mão de Onça, Milton Buzzeto, Pando, zagueiro não identificado, Sampaio e o técnico Silvio Pirilo. Agachados: Bianchi, ponta não identificado, Luizinho Pequeno Polegar, Buzzone, Joaquinzinho, Bececê e Elias Pássaro. O garoto chama-se Fábio Pucci, hoje empresário do ramo de automóveis

 

3Gino, em sua época de Juventus, da Mooca, no dia 13 de outubro de 1964. O uniforme era bem simples, mas muito bonito

 

4Rafael em foto na Javari. Da esquerda para a direita: Antoninho, Rodarte, Quarentinha, Rafael e Gélson. Era o ataque do Juventus de 1965

5Foto rara: Baltazar com a camisa do Clube Atlético Juventus, em 1958

César Luis Menotti em sua curta passagem pelo Juventus, em 1969

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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