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Blog do Milton Neves

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Ouça raríssima entrevista de Garrincha, que comemoraria 86 anos hoje

Milton Neves

28/10/2019 12h27

Se na semana passada, dia 23, aniversário de Pelé, comemoramos o Natal do Futebol, hoje é dia de celebrar o Natal do Futebol Magia.

Afinal, em todos os tempos, o esporte bretão teve um "mágico" como o nosso Garrincha?

A resposta, com toda a certeza, é não!

Pena que nos deixou tão cedo.

Mas ele viveu tempo suficiente parar marcar seu nome para sempre na história do futebol e como uma das figuras mais amadas da história do país.

E, nesses meus 48 anos de São Paulo,  só consegui ver de perto Garrincha uma única vez.

Vi, conheci, senti, entrevistei, cumprimentei, observei mais em silêncio do que falando e me emocionei como os milhares de ouvintes da Rádio Jovem Pan naquele domingo de 1º de agosto de 1982.

Para emplacar o "bebezinho" Terceiro Tempo a emissora levava aos domingos sempre um nome top para emoldurar e fortalecer o principal dia do futebol.

Vieram do Rio até os então badalados árbitros Arnaldo Cezar Coelho e José Roberto Wright.

É que a Jovem Pan estava naturalmente assustada com a saída, em meio à Copa da Espanha, de Estevan Sangirardi e de seu então imbatível "Show de Rádio".

Ele levou o programa e todo o seu time para a Rádio Bandeirantes.

O "cano" profissional do saudoso "Sanja" foi desastroso para sua carreira, sua autoestima, e para seus colegas de microfone.

É que, ao contrário da Pan, na Bandeirantes ele não entrava coladinho no final do jogo e o "Show de Rádio" definhou e Sangirardi morreu profissional e fisicamente tempos depois.

Foi um passo em falso.

É que a Rádio Bandeirantes, já à época, sacou que o jornalismo pós-jogo, já se consagrando sob o manto da marca "Terceiro Tempo", era muito mais importante do que o "rádio esportivo humorístico".

Mas, e aí, eu consegui ver Garrincha.

Vi, abracei, ri, quase chorei, mas a entrevista saiu.

E você pode ouvi-la no player abaixo:

Garrincha ganhou um cachê, em cheque, de cerca de 1000 reais em dinheiro de hoje.

Mas o cheque, entregue pelo diretor José Carlos Pereira da Silva, era de R$ 897,27, mais ou menos.

É que havia descontos de imposto de renda, ISS, INSS, PIS e etc, sei lá.

Mané reclamou, queria os 1000.

José Carlos completou com uma nota de 100 e pediu o RG e o CPF dele para a documentação.

"Mas o que é isso? Nem sei o que você tá pedindo e o que tenho tá aqui", falou Mané, esvaziando seus bolsos e jogando o conteúdo na mesa.

Eram algumas moedas, poucas notas amassadas, uns papéis e uma carteira de identidade de séculos atrás toda sem plástico nas beiradas e emitida pelo "Estado da Guanabara".

Era o chamado "bolso de gente do bar".

Foi emocionante.

Fotos, aos milhares, imagens tão repetidas à exaustão na TV e falas tão curtinhas de Mané, todo mundo tem e já viu e ouviu.

Mas, aqui, no player acima, você ouve Mané Garrincha por quase 30 minutos.

Clique, ouça, acenda uma vela, olhe para o céu, reze ou ore, abra a janela e berre: obrigaaaaadooooo, Manéeeeeeeee…

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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