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Osmar Santos: 70 anos e 'pai' do Faustão e do Miltão!

Milton Neves

26/07/2019 17h34

Osmar Santos, que comemora 70 anos no próximo domingo (28). Foto: Paulo B. Whitaker/Folhapress (via UOL)

Fevereiro de 1973.

Eu tinha nervosos e indecisos nove meses de Rádio Jovem Pan em São Paulo.

Meu primeiro emprego na vida, para valer.

Graças a João Carlos Di Genio e a Fernando Vieira de Mello.

Era setorista, como outros nove jornalistas, todos repórteres de trânsito de vários veículos no quinto andar do então efervescente Detran no seu imponente edifício do Ibirapuera, obra de Oscar Niemeyer.

José Neto, Wilsinho Fittipaldi, Aluani Neto e Milton Neves: o irmão de Emerson foi ao Detran renovar o exame médico, nos anos 70, e foi entrevistado pelo repórter da Jovem Pan

Lá embaixo, fervilhavam despachantes, seus prepostos, policiais civis e militares, personalidades e muita gente, às centenas e centenas, atrás do licenciamento do carro, retirada de plaqueta, exame médico, carteiras de identidade e de habilitação, vistoria do veículo e pagamento da TRU, o IPVA da época.

E naquele dia de fevereiro estávamos no meio da tarde naquela quarta-feira, ali pelas 14h, com tudo calmo na diretoria do órgão onde também ficava a sala de imprensa, quando de repente pintou um "alvoroço" com o elevador privativo desembarcando bastante gente a acompanhar alguma celebridade.

Seria de novo o polêmico famoso Coronel Erasmo Dias chegando?

Logo, com delegados, investigadores, escrivães e policiais militares também engrossando a "torcida", vimos que se tratava de… Osmar Santos, a estrela-revelação do meio esportivo e do momento futebolístico do Brasil.

Sim, o "garotinho" Osmar Santos, da Jovem Pan, um Neymar não malquisto da época!

Osmar era o cara, uma estrela amada, benquista e ídolo da garotada e dos "velhos" também.

Só dava Osmar no rádio, eu não o conhecia pessoalmente e ele tinha chegado há poucos meses lá do interior, de mala e cuia, conduzido por seu descobridor Bento Pereira de Oliveira.

Osmar Santos e Bento de Oliveira. A foto acima, da chegada de Osmar Santos à Rádio Jovem Pan, em 1972, foi tirada em frente à antiga sede da Rede Record de Televisão, Rádio Record e Rádio Jovem Pan no Aeroporto, em São Paulo

Eu, integrante da quinta divisão da rádio, só ia à sede da emissora no final de semana para cobrir trânsito rodoviário por… telefone!

E Osmar não aparecia na Avenida Miruna aos sábados e muito menos aos domingos, dia do seu "boné do guarda", da "ripa na chulipa", da querida "gorduchinha" e do seu icônico "e que gooool…".

No meu plantão, evitava informar como estavam Anchieta, Anhanguera, Raposo, Castello e Dutra.

Tinha medo do Osmar, tinha vergonha do Osmar, tremia, mesmo com texto escrito e treinado.

Eu era a prioridade número 10 da equipe atrás dos grandes Osmar Santos, Orlando Duarte, Claudio Carsughi, Leônidas da Silva, Randal Juliano, Cândido Garcia, Narciso Vernizzi, Joseval Peixoto e de Fausto Silva, misto de plantão e setorista da Portuguesa.

Fausto Corrêa da Silva odiava ficar preso lá no estúdio da Rádio Record e a cobrir treino da Lusa.

Mas voltemos ao Detran.

Aí Osmar já estava sentado do lado de minha mesa com o rádio Jovem Pan de frequência fixa – um achado, logo proibido – e passamos a conversar.

Milton no Detran. Ao lado, rádio com frequência fixa na Jovem Pan

Mas o que queria Osmar?

Uma módica placa "OS – 1974", porque o "Bodão" ia para a Alemanha Ocidental no ano seguinte cobrir sua primeira Copa do Mundo, e como titular da equipe no lugar do hoje saudoso Willy Gonser.

E Osmar ganhou do Dr. Nerval, diretor do órgão, o direito de usar a placa "OS 1974" em seu primeiro carro: um Corcel vinho, ano 1973, "zero bala".

O Sargento Salvador Tartaruga (comigo na foto abaixo) foi destacado para resolver a burocracia do emplacamento e ficamos a conversar sobre rádio, televisão, jogadores e cronistas.

Com o Sargento Salvador Tartaruga, no Detran

Só eu falei, e ele ouvindo…

Falei da Bandeirantes, da Tupi, da Gazeta e da Nacional do Rio, de seus narradores, comentaristas, repórteres, plantões… tudo!

Ora, também só fazia isso em Minas Gerais!!!

E ele só escutava, mesmo quando chegou o parceirão dele, o César Maluco, reclamando: "Osmar, vamos logo para o La Licorne, em caso de atraso pegamos só as 'canelas duras' (as feias!!!)".

Confesso que não entendi, mas o César se mandou, o Sargento Salvador entregou os documentos quitados, Osmar foi apanhar o carro licenciado, uma multidão o aplaudia e o abraçava e ele foi para a sede da rádio na Avenida Miruna.

Foi uma consagração, superior ao dia que o cantor Roberto Carlos foi ao órgão renovar o exame médico de sua CNH.

Enfim, Osmar e Roberto Carlos emplacaram junto ao povão, mas perderam de goleada da Roberta Close quando ela lá também apareceu no enorme saguão do Detran que levava ao Banespa.

Um sucesso!

Mas, de repente, uns 50 minutos depois, toca meu LP (linha preferencial) da Jovem Pan para o Detran, com o "temível" e "terrível" Fernando Vieira de Mello gritando: "Minhocão, venha para cá, pegue o ônibus, não tem trânsito para você fazer hoje e venha fazer plantão esportivo. Tirei o Fausto e vou testar se tem mentiroso entre você e o Osmar. Ele me disse que você é gênio, que sabe de tudo de futebol, TV e rádio, então venha ser plantão e aí vou ver se o Osmar mentiu para mim, se você mentiu para ele ou se vocês dois falaram a verdade".

Falamos a verdade, sim, e fiquei 33 anos na função, mesmo que depois ampliada para apresentação do "Plantão de Domingo" e do épico "Terceiro Tempo", meu Waldemar de Brito, culminando depois com Band, Record e novamente Band, além de jornal, revista, palestra, Twitter, Facebook e Instagram.

Equipe da Rádio Jovem Pan em 1973, reunida no estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi. Época em que as arquibancadas eram apenas de cimento. Da esquerda para direita: Joseval Peixoto, Orlando Duarte, Cláudio Carsughi, Osmar Santos, Israel Gimpel, Milton Neves, Randal Juliano, Constantino Ranieri, Fausto Silva, Leônidas da Silva, Cândido Garcia, Edemar Annuseck e Aluani Neto

E hoje, Osmar e eu seguimos muito próximos, no Shopping Frei Caneca, em meio a filmes, vinhos e ao North Grill em jantares

E ali ele sempre fala para mim: "Faaaaaaaaustoooooo…", lembrando do amigo que até hoje muito o ajuda.

É uma forma de agradecimento do fiel parceiro do "Balancê", da Rádio Excelsior, que o Osmar transformou de um simples Milton Neves em um grande David Letterman da TV brasileira.

Osmar, parabéns, viva seus 70 anos e saiba que você sempre será um Pelé da história do microfone esportivo deste País.

E Deus te pague por tudo que você fez por mim.

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Nos comentários, deixe a sua mensagem para o grande Osmar Santos!

Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.

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