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Milton Neves

O Palmeiras e Reinaldo Azevedo

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Milton Neves

26/05/2017 18h33

Um conheço desde menino, e torcendo contra, pelo que houve nos Paulistões de 59, 63 e 66.

O outro, só "por elevador", com alguns amigos funcionários contemporâneos dizendo que "Reinaldo Azevedo é o Milton Neves da política" na história da Rádio JP.

Raros encontros, nenhuma palavra, mas com mútuos olhares desconfiados, de curiosidade ou de admiração.

Mais ou menos por aí.

E os dois agora têm uma obrigação: esquecer de Eduardo Baptista e da Rádio Jovem Pan, respectivamente.

Tudo passa.

Mas o que se passou na madrugada de quarta para quinta-feira, o Palmeiras não pode repetir.

Com a seleção verde jogando um futebol só nota 5.99, o que se viu e ouviu no pós-jogo foi um festival de hipocrisia.

Desde o Cuca até os jogadores.

Todos dedicaram e justificaram a vitória e a classificação na Libertadores… ao ex-treinador Eduardo Baptista!

"Ele foi ótimo", "uniu o elenco", "sempre fará falta", "não fosse ele o time não teria chegado", "é grande treinador" e etc…

Ora, se Baptista era tão bom assim, então por que foi demitido?

E com o time travado!

Que, aliás, continua.

O Verdão da estrela vermelha, com o elenco que tem, precisa jogar 195% mais.

Sob pena de minha "certeza", de um novo Juventus x Palmeiras em Abu Dhabi, virar mais um mico das previsões de "Milton Pitonisa Neves", conforme batismo do top dos tops Ricardo Eugênio Boechat.

E não é que o artilheiro rubro-negro Boechat terá agora como companheiro de Morumbi, de "ataque", de opinião e de BandNews FM o corintiano Reinaldo Azevedo?

Foi grande gol do CEO de Rádio da Band Mário Baccei.

E BandNews FM, só por enquanto, nas tarefas do caipira de Dois Córregos-SP, no Edifício João Jorge Saad.

Lá, adolescente, no interior, Reinaldo plantava limão no fundo da horta de sua avó.

Aqui, nesta semana, virou raro protagonista de tudo, e em todas as mídias brasileiras e até do exterior, ao fazer de um limão a melhor limonada de sua vida profissional.

E essa do limão e da limonada é bem "nova", né?

Tão azedo, cáustico e demolidor no ar, Reinaldo, não investigado, teve seu sigilo profissional de fonte violentado, estuprado.

E "empatou" na mídia brasileira com Joesley Batista.

Um no lado bom, outro no lado ruim.

A Jovem Pan se precipitou na terça-feira à tarde ao determinar que ele nem precisava ir à rádio, imaginando, pelo noticiário, que talvez seu então número 1 tivesse sido grampeado "recebendo propina".

Ele estava no táxi, na Alameda Campinas, subindo para a Avenida Paulista, em busca de mais um pingo em seus "iiiiiis".

Chorou, me contou.

E se demitiu.

A grande emissora, onde trabalhei por 33 anos, perdeu o maior craque em sua necessária e recente reposição de mercado, mas seguirá em frente, para o bem do meio.

Mas que tenha calma, porque revelou um Pelé que fez antológicos gols políticos, de imagem, prestígio e audiência, e o perdeu de graça.

Sacando a precipitação, Reinaldo recebeu sinais da rádio de que "as portas continuavam abertas" para ele.

Era tarde.

Agora, sorte para Reinaldo, para os dois grupos de comunicação e para o jornalismo.

Mas será muito difícil a reposição para quem sofreu desfalque tão sério.

Afinal, não é todo dia que se perde Osmar Santos e se ganha José Silvério, em 1977.

E não é todo dia que se perde Estevam Sangirardi e seu "Show de Rádio" e se ganha o histórico "Terceiro Tempo", em 1982.

E também não é todo dia que se perde Milton Neves e se contrai um profundo vazio profissional esportivo de estúdio, em 2005.

Isso, no entanto, foi ontem, já passou e hoje Reinaldo Azevedo está mais para Fernando Luiz Vieira de Mello, o eterno número 1 do jornalismo de rádio do Brasil.

Ele também um dia saiu e até hoje o lugar está vago, por reposição impossível.

Opine!

Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.