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Dunga, o capitão e a única história séria de Vampeta

Milton Neves

27/10/2014 10h24

charge vamp

Não foi frescura de Dunga a obrigação de obediência total ao capitão do time.

Desde 2010 soube no "Band Mania" que na Europa o capitão lidera o elenco não apenas no campo.

Ele é o "General do Exército", abaixo só do treinador.

Vampeta, Denilson e Emerson Puma, que jogaram por anos em times da Itália, Espanha, Alemanha e Holanda, disseram para minha surpresa, em jantares que fazíamos, que ninguém inicia refeição ou deixa a mesa por lá sem que o capitão, sempre o mais velho do time, tenha sido o primeiro a fazê-lo.

Dunga, ex-jogador de vários países, apenas implantou o modelo que aprendeu e se submeteu na Itália, Alemanha e no Japão.

Mas inovou com Neymar, longe de ser o mais velho do elenco.

E aqui e agora mais uma de Vampeta, essa emocionante e talvez o único caso sério do irreverente baiano.

Enquanto jogou na Holanda, de 93 a 98, manteve relação de "casado" com Beertje, linda moça loira, 20 anos, olhos azuis e rosto rosado "como manga coquinho".

Na tão liberal Holanda, algo comum, Vampeta morou com a "esposa" quase quatro anos na casa dos pais e ao lado dos irmãos dela.

Ele era parte integrante da família e morava com Beertje na suíte principal.

Mas, um dia, sempre avoado e até inconsequente, Vampeta, em 24 horas, deixou a Holanda do PSV e voltou ao Brasil do Corinthians.

Simplesmente apanhou uma maleta e o passaporte no clube e se mandou.

Nem se despediu da "esposa", da família dela e muito menos apanhou os "trens" que tinha na casa do "sogro" holandês.

Por quase dois anos nunca mais falou com a amada abandonada.

Mas, em 1999, quando a seleção disputou um amistoso com a Holanda em Amsterdã, Vampeta foi até Eindhoven na casa que tanto o abrigou, de todo jeito, "para ver como ficaram as coisas por lá".

Tocou a campainha da "townhouse" e quem abriu a porta?

Sua "ex-esposa"!

E segurando seus gêmeos loiríssimos já de seu casamento-casamento mesmo com um holandês.

O encontro, à porta, durou uns três minutos.

Nenhuma palavra trocada, mas foi o tempo para a moça, seus pais e irmãos olharem Vampeta de cima a baixo.

E olharam com surpresa, curiosidade, saudade, estupefação, decepção, susto e até distante carinho pela presença ali daquele "desertor desalmado" que eles tanto admiravam e abrigaram.

"Foi como que eu fosse um morto-vivo desaparecido de guerra voltando para casa", contou.

Sem nenhuma cobrança, sequer no olhar, o holandeses deram as costas ao brasileiro após os três minutos, entraram e Vampeta ficou travado à porta por instantes.

Mas logo se recompôs, voltou ao hotel da seleção e, no caminho, sentiu ou ficou "desconfiado" que fizera coisa muito errada abandonando sem satisfação sua "família holandesa".

E chorou!

Chorou de vergonha com efeito retroativo falando para si mesmo: "Foi a maior bronca que recebi na vida sem ouvir uma só palavra"!

Não dá um filme isso?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.